Friday, March 11, 2005

Instantes breves

Lavadores / Portugal

Jorge Rego


São instantes breves, quase só instantes! Nem sempre a luz é a mesma, nem sempre eu estou ali quase ao lado do sol e simultaneamente tão longe dele. Esta luz tem um tempo muito breve, tão breve que tenho pouco tempo para pensar, enquadrar, diafragmar e mesmo disparar! O tema é muito procurado; existem imensas imagens do pôr do sol, mas quase sempre o fotógrafo não tem paciencia para esperar pela intensidade e cor ideal. Ontem eu e a praia esperamos por ele para que a fotografia resultasse. É só mais um pôr do sol e um nascer do dia para quem está do outro lado do mar! Esta é mais uma história sobre fotografia contada por mim, pela minha cãmara e pelo filme que a gravou. A minha companhia feminina (minha mulher, que tem o seu fotolog próprio - O Espreita) também resultou ... está aqui atrás da imagem comigo, ajudando a conseguir aquela paciencia que muitas vezes não tenho.

Thursday, March 10, 2005

A Fotografia e Linguagem Artística

Le Gray - 1820-1884


Se Robinson e Rejlander tinham fixado as regras para que a fotografia fosse considerada uma arte, sem todavia o conseguirem verdadeiramente, fotógrafos do mesmo período faziam um efectivo trabalho de criadores, sem necessariamente o reivindicarem. Esse é o caso, nomeadamente, das explendidas paisagens de Le Gray, os nus e os ramos de flores de Adolph Braun, as naturezas mortas de Henry Le Secq, as composições florais de Charles Aubry e os inesquecíveis retratos de Nadar.
O picturalismo - Na década de 1880, Peter Henry Emerson (1856-1936) insurge-se contra as criações pré rafaelitas, as fotomontagens histórico-bíblicas, mas também contra a grande aridez da precisão fotográfica. Influenciado pelas teorias naturalistas dos pintores de Barbizon e pelos impressionistas, enaltece a transmissão das sensações percebidas pelo olhar. Numa obra intitulada Naturalistic Photography, editada em 1889, e que envia a todos os clubes de fotografia ingleses, expõe as suas teorias fundadas na recusa da ampliação e do retoque e defende que uma ligeira imprecisão da fotografia dá melhor conta da percepção. Preconiza a impressão em papel de platina, que julga ser mais artística. As suas imagens da Inglaterra rural estão muito próximas das telas de Millet e de Whistler.
(História da Fotografia-Pierre Jean Amar)

Tuesday, March 08, 2005

As aulas do retrato (1)

Alunos do 10 Anoº. (1) - 2004/2005

Prof.Jorge Rego


Este ano lectivo com a chegada de novos programas estou a leccionar no 10º. ano a disciplina de fotografia com um tema generalizado – o retrato. Aqui os alunos vão ter que elaborar imagens de modo a conseguir um registo dos seus colegas de uma forma diferente daquela que normalmente o fazem fora das aulas. Não se trata de manipular a intenção do aluno mas ensinar-lhe que um retrato pode ser mais que uma simples fotografia de alguém. Se eu não conseguir fazê-lo através do acto fotográfico, por vezes será melhor descrevê-lo por escrito ou mesmo falado. A fórmula é deixar mais livre o espaço de criação, isto é, não será necessário preencher o fotograma com o rosto por inteiro. A melhor expressão, o melhor olhar ou mesmo o melhor trejeito poderá identificar da melhor forma o outro. Para que tudo isto aconteça, é preciso ter uma boa educação visual e fazer com que uma imagem “funcione bem” dentro de um rectângulo.

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A gente olha e pensa: quando aperto? Agora? Agora? Agora? Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos para sempre. E não podemos recomeçar. O desenho é uma meditação enquanto que a foto é um tiro. Pode-se apagar um desenho e fazer outro. Não se está lutando contra o tempo. Tem-se todo o tempo pela frente, é uma meditação. Mas com a foto há uma espécie de angústia constante pelo fato de estar presente. Mas é uma angústia muito calma."

[Henri Cartier-Bresson]

Nikkormat - A lenda está viva

Nikkormat FTn

Jorge Rego

É verdade! O que está vivo sempre aparece. Neste caso, voltei ao fim de algum tempo de interrupção por motivos de trabalho e trouxe comigo uma verdadeira máquina - NIKKORMAT - a menina dos olhos da Nikon, a câmara que não tem fim. Já possuí várias máquinas Nikkormat e todas vendi mas a doença voltou e agora comprei mais uma com praticamente 40 anos e em estado absolutamente rigoroso. Parece um brinquedo adquirido mas não é. A Nikkormat é e continua a ser uma das câmaras de grande qualidade e prestígio que apareceu no mercado nos anos 60! Sim, nos anos dos Beatles, dos Rollig Stones, dos Bee Gees, Cat Stevens ou ainda durante a Guerra do Vietname ou mesmo da ida à Lua! Era o tempo das novidades, do crescer ou não, de ter todo o tempo do mundo para admirar uma paisagem, enquadrar com olhos de ver, estudar o melhor diafragma ou a velocidade ideal.
Trabalho imenso com uma Nikon Digital (qualidade sem dúvida) mas só o som do obturador da Nikkormat é um espanto! Depois comparo aquilo que fiz tanto com uma como com a outra e, não sou "Velho do Restelo" mas ainda vou arrancar aos negativos pequenas grandes diferenças para melhor! Prata é prata! Depois, já não me lembro bem quem me o disse mas, é como o escritor "que se presa" (excessos), "bate" os seus textos numa velha máquina de escrever, talvez, uma Remington (inventadas e desenvolvidas na segunda metade do século XIX, contribuíram decisivamente para um grande impulso nas comunicações da época.) pois, o entendimento é mais "tu cá, tu lá"... foi ali que ele começou!
NB. - A câmara na imagem tem a designação "Nikomat" utilizada no Japão. Para o resto do mundo o nome foi "Nikkormat".
Um abraço