Wednesday, May 04, 2005

Estranha Camara Escura

Renault Juvaquatre. Não este não é o meu carro
actual mas sim o seu tetravô. Era mais bonito!!!!!


NB - Este texto já foi publicado no primeiro blog que iniciei mas que descontinuei por falta de tempo, mesmo muito tempo no ano de 2003. Era o "Apanha Imagens".
Tenho o telefone a tocar. Outra máquina ligada ao tempo. Tempo de, porventura, escutar um cliente que requisita um trabalho para “ontem” ... É verdade. Normalmente, os trabalhos já deviam estar prontos antes de se fazerem! É verdade ... a massificação desta sociedade, não deixa quase nada para criar! Tudo tem que aparecer feito seja de que forma for e, se possível barato, como se esta profissão fosse um puro diletantismo. Atendo. Amanhã, Quarta-feira, terei que me deslocar a Guimarães para fotografar um andar modelo de forma a que os diapositivos estejam prontos a serem inseridos num anúncio a colocar num determinado jornal no próximo fim de semana. Como pode ser? Que ideia faço eu, neste momento, daquilo que vou fotografar? Precisaria de ver primeiro. Estudar os espaços para depois organizar o material a deslocar para o local. Mas tem que ser feito e, desta forma, nada melhor que transportar praticamente o estúdio inteiro. São malas e mais malas, câmaras fotográficas, iluminação electrónica, tripés, girafas, fotómetros, etc.etc. Tudo para a mala do carro, mais carro que automóvel, pois quem o vir deverá pensar que vou ou que venho de uma feira. Para trabalhar assim desta forma, é necessário ter muitos anos de fotógrafo e saber ou tentar advinhar aquilo que vai encontrar. A maior parte das vezes, nada é minimamente planeado pelo cliente. E esse planeamento, aprendi com a passagem por grandes empresas que me ensinaram a forma mais rentável de trabalhar e consequentemente de obter melhores resultados. Claro que não se é fotógrafo só porque queremos ser fotógrafos mas também é verdade que também não se é industrial só porque queremos ser industriais. A facilidade com que organizam uma “desorganização” é espantosa e, depois, os lucros podem ser rápidos, mas esvaiam-se também rapidamente. O meu lema foi sempre o seguinte: aquilo que é “barato” ou se produz “barato” não pode ter a qualidade final que se espera. Na fotografia dificilmente há milagres.
Roland Barthes afirma que, “fotografar é vermo-nos a nós próprios à escala da história.