Aurélio da Paz dos Reis
Carnaval no Porto (1908)
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Isto é assim: todos amamos a fotografia de um modo ou de outro e, quando digo todos, estou a referir-me a quem mesmo dedica muito do seu tempo no registo de imagens, na procura de novos modos de interpretar uma paisagem ou um lugar ou, ainda, no descer à tulha da qualidade e desencantar fotógrafos que fizeram história e que trouxeram até aos nossos tempos imagens "lindas" das suas cidades e não só. O fotógrafo a que me estou a referir é Aurélio da Paz dos Reis, nascido no Porto. Quem foi à sua procura foi o meu grande amigo Carlos Romão e que me fez reviver fotografias de espanto, guardadas na minha memória mas "esquecidas" na vida desenfreada que tenho de não ter tempo para parar! Isto de "pararmos" também deve ser um método de viver. Não significa ficarmos estáticos mas ter tempo para voltar a coordenar tudo aquilo que na nossa cabeça já anda um pouco a monte. E eu, como fotógrafo, preciso realmente de parar um pouco para estudar, voltar a ver imagens guardadas no subconsciente e organizar-me por forma a compensar e a ordenar novamente as minhas ideias e os meus modos de ver.
Breve biografia de Paz dos Reis
Foi o pioneiro do cinema português. (Nasceu no Porto em 28.7.1862 e morreu em 19.9.1931). Foi também floricultor. Foi o criador da primeira empresa que houve em Portugal para a expansão de flores e sementes. Como revolucionário republicano, participou na revolta de 31.1.1891 e foi director (1891) e segundo secretário (1896) do Ateneu Comercial e vice-presidente do senado da Câmara Municipal do Porto (1914-1922). Fotógrafo amador, Aurélio da Paz dos Reis conseguiu reunir uma colecção enorme de aspectos citadinos, acontecimentos públicos, festas, etc. Associou-se ao comerciante portuense António da Silva Cunha para a exploração do cinema e projecção, com a qual rodou uma série de pequenos filmes, à volta de 40 películas, que exibiu em Portugal e no Brasil.

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