A Luz Que Desenha Imagens
Espaço dedicado à fotografia. Espaço onde posso dialogar sobre fotografia. Espaço aberto à crítica. Espaço onde me encontro com aquilo que mais gosto de fazer - fotografar e ensinar a fotografar.
Thursday, November 25, 2004
Tuesday, November 23, 2004
Ensinar fotografia
Eu, caricaturizado por uma aluna.
Ensinar fotografia dá muito gozo, muito mais, quando estamos a lidar com jovens, cheios de ideias, de simulações, de dicas e mesmo com capacidade criativa. Falar de câmara escura e de óptica é, no início, quase um segredo dos deuses. Colocá-los a mexer na máquina fotográfica é divertido quando, pela primeira vez, "tocam" uma reflex de objectivas intermutáveis; o divertido é olhar, espreitar, quase enquadrar e simular uma fotografia a um ou a uma colega. Há risos, esconder atrás de uma cortina, ficar de faces rubras e exclamar "não gosto de ser fotografado(a)". No entanto, quando me retiro dizendo-lhes que vou ver aquilo que são capazes de fazer sem o professor ao lado, sou eu quem espreita pelo buraco da fechadura, qual visor de câmara fotográfica, e observar como, quando estão sozinhos, dão largas a toda uma encenação e caracterização de pasmar. O duelo entre a pose e o registo instantâneo é um momento quase nervoso, com tiques mas que, no fim, é rematado com uma explosão de alegria. Depois é só observar como, no final do trabalho, aquele ou aquela que fotografou, segura na câmara com uma "pose" (esta é outra pose) que mais parece o momento do herói!
Sunday, November 21, 2004
Os Prosadores, os Poetas e a Fotografia
Ilustração do ano 1900.
CÂMARA ESCURA
Devagar,
Hora a hora,
Dia a dia,
Como se o tempo fosse um banho de acidez,
Vou vendo com mais funda nitidez
O negativo da fotografia.
E o que eu sou por detrás do que pareço!
Que seguida traição desde o começo,
Em cada gesto,
Em cada grito,
Em cada verso!
Sincero sempre, mas obstinado
Numa sinceridade
Que vende ao mesmo preço
O direito e o avesso
Da verdade.
Dois homens num só rosto!
Uma espécie de Jano sobreposto,
Inocente,
Impotente,
E condenado
A este assombro de se ver forrado
Dum pano de negrura que desmente
A nua claridade do outro lado.
MIGUEL TORGA

