Contactos
tira de contactos
William Klein (fotógrafo) dizia que todos os fotógrafos são mirones.
Uma folha de contactos é uma sequencia fílmica daquilo que fotografamos ou, porventura, que não fotografamos... pode parecer esquisita esta afirmação mas, em muitas ocasiões não fotografamos mesmo, simplesmente captamos sem olhar, como uns meros rebuscadores de imagens. Acreditem que há muita palha num rolo de 24 ou 36 fotografias; diria mesmo "entulho" que vai acumular-se na gaveta, esperando uma passagem pelo ampliador. A verdade é esta: numa folha de contactos descobrimos muitas vezes aquilo que não vemos ao fotografar! Pode ser bom, como no caso do filme "Blow Up" e pode ser mau, quando só vem estorvar o conjunto da nossa imagem. Cada vez que remexo nos arquivos acontece-me duas situações: ou descubro algo que realmente nunca tinha reparado, e ampliado resulta numa boa fotografia ou, existe restolho a mais que melhor será esquecer. Ás vezes apetece-me fazer uma prova de contacto gigante só para ter a certeza que, sem reenquadrar nada, fiz uma fotografia de má ou boa qualidade. Cartier Bresson definia "contactos" como um sismógrafo, onde aparece de tudo. É bem verdade, imagem sim, imagem não, a qualidade vai variando em termos fotográficos. Ou é tudo muito bem conseguido ou, por outro lado, vão aparecendo amontoados de ruídos.
A fotografia é um acto instantâneo quase sem pensar, mas com um pensamento brevíssimo. Cezane dizia que "quando pinto e começo a pensar tudo desaparece". Não podemos levar para o campo de tomada de vista pré concepções daquilo que vamos fazer. O instante muda a cada momento, por isso é um instante e outro momento ainda e, nessa breve milésima de segundo que antecede o disparo, qualquer coisa pode mudar e, consequentemente, o resultado é óptimo ou desastroso.
Klein afirmava que quando fazia uma folha de contactos ficava desapontado. É esta exigencia que devemos ter quando fazemos fotografia de autor ou mesmo fotografia comercial ou industrial. Antes de sermos criticados, devemos ser nós mesmos o nosso critico.
Para finalizar, não levem a mal esta afirmação: não fiquem tristes se, num rolo de 36 fotografias, levarem para casa apenas seis que são realmente fotografias. O restante poderá ser vendido ou oferecido para a recuperação da prata que desperdiçamos.

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